segunda-feira, 12 de abril de 2010

DESESPERAR JAMAIS



Desesperar jamais
Aprendems muito nesses anos
Afinal de contas não tem cabimento
Entregar o jogo no primeiro tempo

Nada de correr da raia
Nada de morrer na praia
Nada! Nada! Nada de esquecer

No balanço de perdas e danos
Já tivemos muitos desenganos
Já tivemos muito que chorar
Mas agora, acho que chegou a hora
De fazer Valer o dito popular
Desesperar jamais
Cutucou por baixo, o de cima cai
Desesperar jamais
Cutucou com jeito, não levanta mais

Beijos

Ana Mineira

sábado, 10 de abril de 2010

SERESTA AO PÉ DA SERRA



Essa minha terra é cheia de cacoetes. Alguns bem irritantes, outros até bonitinhos. Um dos que eu mais gosto é da mania de seresta e serenata. Mais uma vez, como em tudo que é boêmio, meu bairro é pródigo nesse quesito também. Sempre teve seresta na praça. Há algum tempo atrás era sagrado, toda sexta-feira. E atire a primeira pedra quem naquela época não começou algum namoro numa seresta...

Há 27 anos em um dos mais populares parques da cidade, o Parque das Mangabeiras, acontece a "Seresta ao pé da Serra", que é uma pareceria da prefeitura com o Sesc-MG e o xodó de um jornalista muito conhecido na cidade, Carlos Felipe. As pessoas se reúnem, de quinze em quinze dias, durante os meses de seca (mais ou menos de março a outubro) pra ouvir e dançar ao som de grupos musicais que se revezam a cada evento.

É um acontecimento! Apesar de lá você encontrar pessoas de todas as idades, obviamente a maioria é gente... como direi...
mais madura... E o ambiente é tão familiar que, mesmo tendo um restaurante ao lado, a maioria dos frequentadores leva comida e bebida de casa pra compartilhar em mesas enormes, verdadeiras panelinhas. Rodam garrafas de pinga, que todos bebem na tampinha. Torresmo, linguiça, bolinhos... vira uma grande festa de roça.

Tem os casados e casadas que vão sem os cônjuges porque eles não gostam, ou não aguentam o barulho (tem uma que o marido usa aparelho de surdez) e aí só dançam com aquele par de praxe, que geralmente é filho de alguém ou marido de uma pessoa generosa e de confiança. Tem aqueles que encontram vizinhos que vão escondidos das mulheres. Tem um senhor, de 90 anos, que é "o" pé-de-valsa, não perde nenhum dia e dança com a mulherada toda. Casais de décadas se comportando como namoradinhos.
Tem amores velados e escancarados, novos e antigos. E cada roupa...

Tudo isso naquele friozinho (ou friozão, dependendo do dia) dos pés da Serra do Curral, no meio da mata. Coisas de uma cidade com complexo de Peter Pan, que não quer ser grande nunca... Com seus dilemas de metrópole e comportamento de arraial...



Beijos

Ana Mineira

quinta-feira, 8 de abril de 2010

A IDADE DA PAIXÃO E A PAIXÃO DA IDADE



Cena do filme Wolke 9, de Andreas Dresen

Na verdade "A idade da paixão" é o título de um livro de Rubem Mauro Machado, escrito em 1986 e
que ganhou o Prêmio Jabuti. Na verdade ainda não li, só adoro o nome... Pelas sinopses lembra um pouco uma fase do Érico Veríssimo sobre o final da adolescência (com quem só não caso por dois motivos: 1- já morreu; 2- eu ia virar madrasta do LFV e ia ser muito desagradável;). Vai um trecho:

“E como em oração, repito Sílvia, Sílvia, Sílvia, com um fervor amoroso que talvez só na adolescência seja possível. Pode um homem humilhado (alguém que sequer se sente bem alimentado) aproximar-se de uma mulher? Sobretudo de uma mulher que o atinge? Alguém que pela falta de contato com mulheres sente agravada a natural timidez (e que, certa desculpa ao mundo feita, à saída do colégio, tendo uma moça inesperadamente se dirigido a ele, pedindo uma informação, sentiu-se enrubescer até as orelhas. Só faltava a alguém assim pedir por estar vivo.”


Já disse muitas vezes o quanto gosto da adolescência; a minha e a dos outros. Exatamente por isso: pela intensidade de sentimentos. É tudo muito grande, muito forte, como se o mundo estivesse sempre prestes a acabar. Então não tenho dúvida: é mesmo a idade da paixão. Minha pergunta portanto fica sendo: seria a única idade da paixão? Paixão é coisa de adolescente?

Bem, busquemos o auxílio do Houaiss pra quem paixão é: "sentimento, gosto ou amor intensos a ponto de ofuscar a razão; grande entusiasmo por alguma coisa; atividade, hábito ou vício dominador" Ou seja, quase uma doença... Hoje em dia muitos profissionias da neuropsicologia já consideram que seja um "estado alterado da realidade comparável ao êxtase provocado pelas drogas e pelos delírios místicos". Já se sabe quais as substâncias envolvidas, como funciona, quanto tempo dura. Acho que só não conseguimos descobrir o que nos move pra ela e o mais grave: o que nos tira dela. Mas faço ainda aquela pergunta: para se ter a razão ofuscada tem idade? Se tivesse nenhum réu com mais de 20 anos poderia alegar insanidade, não é mesmo?

Pra mim é muito simples: é a paixão que move o mundo. É importante não apenas estar apaixonado como ser apaixonado. É muito melhor trabalhar com paixão, estudar com paixão, viajar com paixão, fazer esporte com paixão, fazer sexo com paixão, ter filho com paixão, amar com paixão... viver com paixão é muito melhor... Tá! Eu não sou parâmetro. Mas do mesmo jeito que muitas pessoas olham pra mim e acham graça da minha ingenuidade apaixonada eu tenho pena do realismo desbotado que fica depois que a vida vem e lava o êxtase. Tenho pena de quem não vive paixões e nem mesmo sonha com elas. É como se tivessem esquecido como é bom viver sob os desmandos de um vício dominador, por mais tolo que possa parecer depois de uma certa idade.



E nem uma palavra mal criada sobre o Guilherme Arantes ou essa música que eu adoro de paixão!

Beijos apaixonados

Ana Mineira

terça-feira, 6 de abril de 2010

CALÚNIAS!!



Ontem estava respondendo alguns comentários desaforados da minha xará e usei a palavra "calúnias"
e pra mim seria impossível fazer isso sem lembrar essa música...



Diz a lenda que ela foi feita aqui em Belo Horizonte, de brincadeira, dentro de um fusquinha.
Os integrantes do João Penca e seus Miquinhos Amestrados rodavam pela cidade quando tocou no rádio a música "Tell me once again" que significa apenas "me diga de novo" e fala só de um cara querendo escutar juras de amor,
mas eles fizeram isso:


Diz que vai dar, meu bem
Seu coração pra mim
Eu deixei aquela vida de lado
E não sou mais um transviado

Telma, eu não sou gay
O que falam de mim são calúnias,
Meu bem
, eu parei . . .

Não me maltrate assim
Não posso mais sofrer
Vamos ser um casal moderno
Você de bobs e eu de terno

Eu sou introvertido
Até no futebol
Isso tudo não faz sentido
E não meu esse baby-doll

(Telma, ô Telminha, não faz assim comigo
Não me puna por essas manchas do passado
Já passou
Esses rapazes são apenas meus amigos
Agora eu sou somente seu,
Meu amor...)

Como se não bastasse mandaram para o Ney Matogrosso gravar.
Ele, que tinha acabado de lançar "Homem com H", horrorizou. Coitado... Em plenos anos 80, era dar muito a cara a tapa...
Mas acabou topando.
Não sei de qual parte eu gosto mais nessa história: se da irreverência e humor non sense dos Miquinhos, ou da ousadia e também irreverência do Ney.
Sem falar que a letra é fantástica!
Vai aqui minha homenagem e admiração aos transgressores!!

A ousadia tem força, poder e magia.
Goethe

Beijos

Ana Mineira

quinta-feira, 1 de abril de 2010

RESSURJA!




Continuando a aula de catecismo iniciada há quase 40 dias...

A quaresma está acabando. O que isso significa??

Basicamente que o tempo de meditar, contemplar e sofrer está quase no fim.

Está chegando a hora de ressurgir. Para os cristãos é o que a Páscoa significa.
É como aquela velha história da borboleta: entrar num casulo uma lagarta feia e asquerosa, ficar lá no escuro e sair linda, com asas...

Acredito muito nisso... em ressurgir com asas...

Só que ao contrário de insetos e feriados religiosos não precisamos de um dia certo.

Podemos tomar nosso casulo
a qualquer hora...
Parece papo de auto-ajuda, né??
Um dia conto pra vocês.
Enquanto isso espero que todos que já tenham tido vontade de renascer um dia, se inspirem e criem asas...

Feliz Páscoa!!!!!!!!


Beijos

Ana Mineira